Cada vez mais assistimos pessoas, principalmente os mais jovens, estarem frequentemente a consultar sobre o que é ou não é possível, aceitável ou correto no chamado "mundo virtual", é necessário que se divulgue o entendimento social e jurídico a respeito do mesmo.
Quanto a este tema, relativamente ás diferenças entre o que é real do que é virtual, é necessário respeitar as opiniões de diversos autores, contudo devemos consciencializarmo-nos de que o “ mundo virtual” pode ser mais fluido, liberal e permissivo do que no mundo real.
Contudo há autores que não vêm o porquê de existir dois mundos, justificando que ambos são habitados pelas mesmas pessoas. Dizem crer que a diferença seja apenas semântica, pois o virtual já é parte totalmente integrante e imprescindível da vida moderna, tanto no campo pessoal como no profissional.Outro aspecto importante é a compreensão das qualidades ou características da interacção, precisando por conseguinte, entender alguns tipos de sentimentos ("vivências da subjectividade") que estão associados com as novas modalidades de comunicação mediadas pelo computador. As formas de comunicação e interacção possibilitadas pelas novas tecnologias inserem-se no seio da cultura letrada, e modificam-na. Myron C. Tuman, no livro Literacy in the Computer Age, faz uma pergunta crucial: "como estudar o impacto das novas tecnologias na cultura letrada, quando aquilo que entendemos por cultura letrada é condicionado pela tecnologia existente, muitas vezes de formas não totalmente conscientes?" (Tuman, 1992, p. 2). Em linhas gerais, Tuman responde que, para entender o impacto do computador, devemos olhar menos para a própria tecnologia, e mais para as práticas existentes no seu uso, inclusive a leitura e a escrita. O computador não somente estende essas práticas, mas transforma-as. Antes de nos focarmos nas diferenças entre o que é real e o que é virtual temos que estabelecer o que se entende pelas interacções no cyberespaço. Antes de tudo vamos focar-nos no termo “ cyberespaço” e o dividiremos. Espaço, é um termo que sinaliza a mudança do computador "ferramenta" para o computador "meio", tanto meio de comunicação e expressão, quanto meio ambiente, palco, espaço para a vivência dramática: vivência de emoções e de personagens que projectamos nesse mesmo meio. Espaço que, no entanto, deixa de ser literalmente espacial, perde as suas presumíveis características geográficas, uma vez, que podemos deslocar, num instante de um sítio para o outro. Todas essas "mudanças" espaciais não são perceptíveis no ecrã do computador, que mostra a cada momento uma página mais ou menos parecida (a despeito da criatividade dos webmasters), numa sequência rápida: o tempo transcorrido no percurso, que dava a ideia de deslocamento espacial, é praticamente nulo; a instantaneidade, a velocidade absurda abolem o espaço, ou a percepção do espaço tradicional. Então, afinal, que espaço é esse? Cria-se uma percepção espacial diferente, com as suas próprias possibilidades e limites. Para alguns autores, como Jay Bolter, cada forma de escrita cria o seu próprio espaço conceitual.
É importante explicar que o espaço conceitual do computador é o da deriva e simultaneidade de pontos de vista possibilitada pelo hipertexto e pelo modelo da rede.
O termo Cyber remete à cibernética. Para a cibernética, a separação interno/externo não é a tradicional. Importam os fluxos e as regulações.
É importante referir, que o humano ao usar o computador, forma uma máquina, um único sistema para determinado nível de análise. Lembremos que o conceito de máquina em cibernética é um conceito formal, não tem necessariamente a ver com um aparato físico específico. Cyberespaço é uma palavra híbrida, uma mistura de inglês e português. O uso do inglês é evidente, remetendo ao traçado histórico do desenvolvimento dessa tecnologia, de que não devemos nos esquecer; e também remete a uma determinada situação geopolítica. Finalmente, o hibridismo também nos remete a um outro conceito menos óbvio, a diluição das fronteiras, um fenómeno abstracto típico do cyberespaço. Trata-se da diluição das fronteiras entre humano e máquina, mas também, menos obviamente, entre humano e animal, diluição essa proporcionada pelo paradigma cibernético. Em suma, a pessoa pode expressar-se de múltiplas formas no cyberespaço, ou, podem criar personagens, torna-se ela mesma um personagem.
Por último, vamos introduzir uma distinção entre o real e o virtual. Essa distinção serve para resgatar o conceito de realidade objectiva, independente das interpretações e actuações humanas. Então torna-se interessante perguntar o que é real e o que é virtual? Nós, seres humanos, tendemos a crer que o real está para o concreto e que o virtual para aquilo que foge da nossa percepção táctil. Contudo, atinge o que há de mais fundamental para a sustentabilidade e crescimento de cada ser humano, uma vez, que atinge a nossa mente, faz com que atinja a nossa forma de pensar, o nosso modo de ver as coisas que nos rodeiam, a nossa forma de agir e por fim, mas não menos importante, a nossa maneira de sentir. É preciso ganhar consciência, de que aquilo que nos parece inacessível, pode vir-se a tornar real. Por conseguinte, esta mística diferença entre aquilo que é virtual e aquilo que é real torna-se bastante curioso, uma vez que o virtual carrega a hipótese de se concretizar.
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